"Estudar o budismo é estudar si mesmo

Estudar si mesmo é esquecer si mesmo

Esquecer si mesmo é estar identificado a todas as coisas

Estar identificado a todas as coisas é abandonar corpo e mente de si e de outros"

Eihei Dōgen (1200-1253)

Primeira Visão do Touro


Um sabiá canta num galho,
sol brilha em chorões ondulantes.
Ali se queda o Touro, onde mais poderia ele ter se escondido?
Aquela esplêndida cabeça, aqueles chifres majestosos, qual artista os poderia adequadamente reproduzir?


Se ele somente ouvir atentamente os sons cotidianos, ele chegará naquele momento a uma realização da Fonte mesma. Os seis sentidos não são em nada diferentes desta verdadeira Fonte. Em toda atividade a Fonte está manifestamente presente. Isto é parecido com o sal na água, ou a cola na tinta. Quando a visão interna estiver adequadamente focalizada, a pessoa percebe aquilo que é visto como sendo idêntico À verdadeira Fonte.

Uma primeira experiência pode acontecer de forma espontânea, ou mesmo no início da prática. A vida comum e o absoluto são uma mesma coisa. Mas assim como vem, ela desaparece, e deixa em seu lugar um forte desejo de reencontrá-la. A realização já está lá...Ah! Se esse estado permanecesse...Esse momento é preciso deixar para trás para poder seguir caminhando, do contrário segue-se a estagnação. Abandonar todas as primeiras alegrias e as memórias do que se experimentou. Prática incessante...