"Estudar o budismo é estudar si mesmo

Estudar si mesmo é esquecer si mesmo

Esquecer si mesmo é estar identificado a todas as coisas

Estar identificado a todas as coisas é abandonar corpo e mente de si e de outros"

Eihei Dōgen (1200-1253)

Manjusri




O Bodhisattva Manjusri que podemos encontrar no altar no centro da sala de meditação Zen (Zendô), em geral segurando uma espada em sua mão direita, representando a realização da sabedoria que corta através da ignorância e dos pontos de vista errôneos. A escritura em sua mão esquerda é o Prajna Paramita, representando sua conquista da realização final e da Iluminação.

A sabedoria no Budismo não se restringe ao que podemos conhecer com nosso intelecto, mas abarca a compreensão vivencial da impermanência a que estão sujeitos todos os seres existentes, da interdependência como princípio que nos permite entender anatman, a não identidade - o fato de que estamos intimamente ligados com todos os seres (humanos, animais, plantas, minerais, etc) como um só corpo do universo, sendo nossa individualidade uma ilusão criada por nossa mente a partir de agregados que juntamos para termos a sensação de que existimos separadamente e que podemos permanecer temporalmente.

O sofrimento que surge a partir do apego que criamos a esses agregados, e que resiste a aceitar que tudo está em constante transformação, não havendo mesmo nada que possamos segurar, que possa permanecer, constitui nossa ignorância fundamental acerca da natureza da existência.

Para que possamos experimentar o estado em que é possível aceitar as coisas como elas são e não sofrer mais por serem assim, é preciso cortar fora as raízes dessa visão equivocada. Por isso em reverência oferecemos tudo que somos, ou acreditamos ser, para que a espada da sabedoria possa cortar fora nossa visão ilusória e possamos chegar à realização da verdadeira natureza de todos os seres.

Finalmente o que cortamos fora não nos é absolutamente necessário, embora passemos nosso precioso tempo de vida a acreditar que sem todo esse aparato do ego não podemos mesmo encontrar paz. Nos encontramos aliviados de uma pesada bagagem, que apenas nos impede de perceber a perfeição exatamente onde estamos e em cada instante.

O Zazen, segundo o Mestre Dogen, é o verdadeiro portão para todos os lugares. Seu cultivo, um trabalho para toda uma vida, e mesmo assim desde o primeiro momento tudo já está realizado. Precisamos apenas sustentar essa prática e levá-la a permear cada momento de nosso viver.
______________________________________

Encontre aqui informações sobre a prática do Zazen.

Visite as várias seções do blog da Sangha e saiba mais sobre atividades, estudos, locais de prática no Brasil e no Exterior.

Entre em contato e envie suas dúvidas, perguntas, questões...serão todas encaminhadas, mesmo que nossa proposta seja "zen respostas"...deixamos à sua curiosidade e inquietude a possibilidade de construí-las e partilhar com todos suas descobertas.

Você pode enviar por e-mail para serem postados no blog imagens poéticas: fotos , poemas, haiku, desenhos e mais...expressando sua relação com a prática Zen.

Veja também a agenda da semana, abaixo no calendário Zen, e confira nossa programação atualizada constantemente.

Clique aqui e veja como apoiar as atividades da Sangha Zen da Bahia, através de doações, compras ou trocas de produtos e serviços através do portal Solidarius.

Experimente sentar-se em silêncio por alguns instantes, a coluna ereta, a atenção focalizada no ar que entra e sai dos pulmões...alguns minutos apenas, a cada dia, podem fazer toda a diferença!